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O maior exemplo de empatia que vivenciei em toda minha vida

Foi o pior dia da minha vida! Eu voltava do Rio de Janeiro para onde tinha ido a trabalho. Estava dentro do avião, quase decolando para São Paulo, quando o telefone tocou. Era minha irmã.

“Você pode falar?”, perguntou-me. Eu respondi que o avião estava de saída e que, portanto, conseguiria falar apenas por uns minutos. Ela, então, contou que minha mãe tinha sido atropelada por um carro e havia sido socorrida em estado grave.

Fora levada pelo Samu para o pronto-socorro do Hospital de Base, em Rio Preto, um dos mais importantes da região. Meu sobrinho tinha acompanhado o transporte e escutou um enfermeiro falar ao telefone enquanto decidiam para onde levá-la: o estado é muito grave.

Uma mensagem do piloto me fez desligar o telefone. Todos os voos para São Paulo tinham acabado de ser cancelados porque os aeroportos da capital paulista haviam fechado devido à forte chuva daquela noite. Era noite de terça-feira, 5 de novembro.

Eu estava numa fila gigantesca para remarcar a passagem para o dia seguinte, quando meu telefone tocou novamente. Era a mesma irmã (tenho duas). Minha mãe tinha partido…

Uma infinita tristeza e uma funda turbação me atingiram naquele momento. Minhas pernas cambalearam. Meus dedos fraquejaram e meu celular caiu de minhas mãos com o adormecimento das pernas, que me levou ao chão. Um silêncio total invadiu meu coração.

Percebi confusa que as pessoas ao redor da fila me amparavam, minha vista estava turva, o choro era doloroso e incessante, o corpo não se sustentava de pé.

Recobrei-me com a equipe dos bombeiros e uma funcionária da Azul Linhas Aéreas ao meu redor. Foi então que vivenciei o maior exemplo de empatia em toda a minha vida. Contei essa história várias vezes e não me canso de repeti-la. Antonielle é seu primeiro nome. Supervisora da Azul Linhas Aéreas do Rio.

Tão logo percebeu que eu havia retomado os sentidos, me perguntou: “Como posso ajudá-la?”. Eu, então, lhe contei que tinha acabado de perder minha mãe e que precisava ir até lá.

Ela olhou com uma expressão de angústia, afinal, os aeroportos de São Paulo estavam fechados e só reabririam no dia seguinte. E quando eu, ainda meio sem forças e sem acreditar na notícia que tinha recebido, apenas pronunciei: “São José do Rio Preto”, Antonielle, deu um salto, correu por um instante, e logo voltou me puxando pelas mãos, correndo mas me apoiando fisicamente, gritou: tragam a mala dela!!!

Passou-me por uma saída que creio ser de emergência, pois não era pela área de embarque normal do aeroporto, próxima ao despacho de bagagens. Enquanto passei descalça pelo detector de metais e saí andando, ela retornou e pegou meus sapatos. Pediu apoio a uma pessoa que encontrou, pois estava sem rádio, e no trajeto até o avião, cuidou dos detalhes sobre minha passagem, sempre ao meu lado, me dando força.

Antonielle me colocou dentro do avião. Pediu o número do meu celular e disse: “Você está indo para Campinas. Talvez não se lembre, mas de lá, tomará um voo sentido Rio Preto às 23h30. Envio todos os detalhes em seu celular. Posso te dar um abraço?”.

E foi assim que, ainda meio sem entender, vi aquela moça, que eu mal conhecia e nem mesmo sabia o nome, sair do avião, que fechou a porta em seguida. Sentei-me, apertei o cinto e decolei junto aos meus pensamentos.

Ao chegar em Campinas, recebi uma mensagem da Antonielle identificando-se, confirmando meus dados e me desejando força. Quando agradeci a grandiosidade daquele gesto, ela me respondeu: “me coloquei em seu lugar. Já passei por isso e a dor é imensurável”.

Então, enviou-me o número do voo com destino a Rio Preto, onde eu cheguei na madrugada de quarta-feira. E, assim, pude abraçar minhas irmãs e chorar com elas a partida de nossa mãe.

Empatia é isso. A capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer. Foi assim que Antonielle se colocou em meu lugar e me ajudou imensamente. Foi extraordinária! Para sempre serei imensamente grata a ela e a Azul Linhas Aéreas.

E mesmo que eu vivencie inúmeras outras experiências de empatia daqui para frente, tenho certeza que nenhuma delas, jamais se parecerá com a atitude tão incrível de Antonielle.

14 comentários em “O maior exemplo de empatia que vivenciei em toda minha vida”

  1. Suleima, minha amiga, vc é um exemplo de SER. Ainda que em seu pior momento de vida, você divide conosco essa experiência e nos faz acreditar que podemos ser melhor conosco e com quem precisar.
    Eu só tenho a agradecer ao divino por poder dividir um pouco de nossas vidas. Que nossa senhora ampare você todos os dias ❤️.

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